Cubanos superam venezuelanos e lideram pedidos de refúgio no Brasil

Cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025 e superaram os venezuelanos, que ocupavam o topo do ranking havia anos. Ao todo, o país recebeu 75.599 solicitações de refúgio no ano passado, alta de 10,9% em relação a 2024.

Os dados fazem parte do estudo Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (22), em evento relacionado ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado no sábado (20).

Do total de pedidos feitos ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), 41.919 foram apresentados por cidadãos cubanos. O número representa 55,4% de todas as solicitações registradas no país e indica crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior.

O estudo aponta que o aumento deve ser compreendido dentro de um contexto de retomada dos fluxos migratórios em direção ao Brasil após o período de maiores restrições à mobilidade internacional provocado pela pandemia de Covid-19. Em 2022, foram 50.355 pedidos; em 2023, 58.628; e, em 2024, 68.159.

Os venezuelanos ficaram em segundo lugar em 2025, com 21.233 solicitações de refúgio. Na sequência aparecem colombianos, com 1.432 pedidos; angolanos, com 1.253; marroquinos, com 888; e ganeses, com 792.

Entre as solicitações decididas pelo Conare no ano passado, 52,4% foram registradas em estados da região Norte. Roraima concentrou o maior volume de decisões, com 16.166 casos, equivalente a 32% do total. Em seguida aparecem Amapá, com 6.372, e Amazonas, com 2.445.

A maior parte dos pedidos atendidos pelo Conare, 94,7%, teve como fundamento a violação generalizada de direitos humanos. O maior grupo nessa categoria é formado por venezuelanos.

O levantamento também mostra que homens solicitaram refúgio em proporção maior que mulheres, com 55,9% dos pedidos, contra 44%. A maioria dos solicitantes está na faixa etária de 25 a 40 anos. Entre os cubanos, porém, o perfil é diferente: 67,8% dos solicitantes têm mais de 60 anos.

No Brasil, o Conare, vinculado ao Ministério da Justiça, é o órgão responsável por analisar e decidir os pedidos de refúgio. O processo costuma ser facilitado para pessoas vindas de países em que o Brasil reconhece situação de grave e generalizada violação de direitos humanos, como Venezuela, Síria e Afeganistão.

Fonte: G1

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