O governo federal poderá encerrar as medidas de subsídio aos combustíveis caso o preço do petróleo se estabilize próximo de US$ 80 por barril. A avaliação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à agência Reuters.
Segundo o secretário, um eventual acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio tende a reduzir as pressões sobre o mercado internacional de petróleo, melhorando também as perspectivas para a inflação brasileira.
“Se o preço se estabilizar em torno de US$ 80 por barril, realmente não há necessidade de continuidade das medidas”, afirmou.
Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o governo adotou medidas emergenciais para conter os impactos da alta do petróleo sobre os preços dos combustíveis. Entre elas estão reduções de impostos e subsídios para diesel, gasolina, gás de cozinha e querosene de aviação.
A maior parte dessas medidas tem validade até julho. Segundo Ceron, os próximos 30 dias serão decisivos para avaliar se o cenário de estabilização dos preços se confirma.
De acordo com o secretário, o fim das tensões no Oriente Médio também pode contribuir para reduzir as projeções de inflação e aliviar a pressão sobre os juros futuros, abrindo espaço para cortes adicionais na taxa básica de juros pelo Banco Central.
Ceron afirmou ainda que a valorização do real frente ao dólar ajuda a compensar parte do impacto provocado pela alta do petróleo. Atualmente, a cotação da moeda norte-americana gira em torno de R$ 5, enquanto no início do ano estava próxima de R$ 5,20.
O secretário também contestou avaliações de que medidas recentes do governo estariam provocando forte estímulo à economia e pressionando a inflação. Segundo ele, parte do mercado tem considerado conjuntamente ações com impactos distintos, incluindo programas de crédito e medidas tributárias.
Para a equipe econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá crescer 2,3% neste ano, em um ritmo considerado compatível com a estabilidade dos preços.
Fonte: G1
