Advogado dono da arma usada em ataque escolar quebra silêncio e faz desabafo

Dias após o ataque ao Instituto São José, em Rio Branco, o advogado Juan Mesquita Amorim, padrasto do adolescente apontado como autor do atentado, voltou a se pronunciar publicamente e negou qualquer ameaça ou envolvimento prévio com a escola.

Em entrevista ao programa Café com Notícias, da TV5, Juan afirmou que nunca entrou na unidade de ensino e classificou como “irracionais” os boatos de que teria procurado coordenadoras ou integrantes da direção antes da tragédia.

“Eu nunca adentrei naquele estabelecimento. Nunca ultrapassei os limites daquele muro. Eu jamais ameaçaria qualquer pessoa”, afirmou.

Segundo ele, não faria sentido procurar a escola para tratar de assuntos relacionados ao adolescente porque não era o pai biológico do estudante.

“Eu não posso chegar na escola e pedir histórico escolar porque eu não sou o pai. Qual seria a lógica de eu ameaçar uma coordenadora? Minha filha nem estudava lá. Eu nunca tive contato com diretora, inspetora ou qualquer servidor do colégio”, declarou.

Juan também relatou como descobriu o ataque. De acordo com ele, recebeu uma ligação da esposa pedindo ajuda, mas inicialmente acreditou que se tratava de uma situação menos grave.

“Ela só dizia: ‘vem me buscar agora’. Quando me aproximei da escola, vi a movimentação e li rapidamente no celular que tinha acontecido um ataque. Mesmo assim, pensei que ele pudesse ser vítima”, contou.

O advogado disse ainda que só percebeu que a arma utilizada no crime era sua depois que policiais mostraram uma fotografia do armamento. Segundo ele, a pistola ficava guardada em um quarto trancado.

“Ela ficava no meu quarto, que permanecia trancado religiosamente todos os dias. Até hoje eu não sei como ele conseguiu ter acesso à arma”, afirmou.

Ao falar sobre o comportamento do adolescente, Juan declarou que nunca identificou sinais de agressividade, sofrimento emocional ou reclamações escolares envolvendo o garoto.

“Ele nunca reclamou, ele ia para a escola normalmente, voltava normalmente. Brincava com a minha filha quando chegava em casa. Era uma relação harmoniosa dentro da residência”, disse.

Ainda durante a entrevista, o advogado afirmou que a família tenta entender o que teria motivado o ataque.

“A gente se pega perguntando o porquê que isso aconteceu, qual a motivação de que isso tenha acontecido, porque não tinham sinais em casa”, declarou.

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