Quem passou pelo Terminal Urbano de Rio Branco nas primeiras horas desta quarta-feira (22) encontrou um cenário incomum: plataformas vazias, nenhum ônibus circulando e passageiros sem saber como seguir viagem.
A paralisação dos motoristas do transporte coletivo deixou o principal ponto de integração da capital sem movimento e obrigou a prefeitura a iniciar, ainda durante a madrugada, uma tentativa de negociação com a categoria.
Por volta das 3h, o prefeito Alysson Bestene começou uma rodada de conversas com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas (Sinttpac), na tentativa de restabelecer o serviço.
A mobilização foi organizada pelos próprios motoristas, principalmente por meio das redes sociais, com a frase “Acorda Rio Branco”. Segundo os trabalhadores, o movimento é um protesto contra problemas que se arrastam há meses nas empresas responsáveis pelo transporte público da capital.
Entre as principais reclamações estão atrasos frequentes no pagamento de salários, dificuldades para receber os vencimentos dentro do prazo e falta de depósitos do FGTS e do INSS.
Os motoristas também relatam problemas com empréstimos consignados. Segundo a categoria, os valores são descontados mensalmente nos contracheques, mas não estariam sendo repassados aos bancos, o que estaria gerando cobranças indevidas aos trabalhadores.
A paralisação ocorre poucos dias depois de a Prefeitura de Rio Branco suspender a concorrência pública nº 005/2026, que trata da nova concessão do transporte coletivo. A medida foi adotada após questionamentos sobre a legalidade e a estrutura do edital.
Ainda nesta quarta-feira (22), o prefeito se reuniu diretamente com representantes da categoria. O encontro terminou com um acordo de 48 horas para que prefeitura e empresas busquem uma solução para os problemas apontados pelos trabalhadores.
