Patrimônio de ex-prefeito salta de R$ 225 mil para R$ 2,5 milhões em 4 anos

Uma frase atribuída ao traficante Fernandinho Beira-Mar costuma voltar ao debate sempre que surgem casos de crescimento patrimonial acelerado na política: “o que mais dá dinheiro é a política brasileira”.

Em Acrelândia, um caso que chama atenção é o do ex-prefeito Olavinho Boiadeiro. Em 2020, quando disputou a prefeitura, ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de R$ 225.573,23.

Na época, entre os bens declarados estavam uma motocicleta Honda Broz 150, avaliada em R$ 5 mil; um caminhão Mercedes-Benz 1620, de R$ 150 mil; um imóvel localizado no PAD Pedro Peixoto, avaliado em R$ 3.846,52; e um lote de terra rural de 79 hectares, declarado em R$ 66.726,71.

Quatro anos depois, em 2024, ao disputar novamente a prefeitura, o patrimônio declarado por Olavinho Boiadeiro saltou para R$ 2.525.151.

Entre os bens informados na nova declaração aparecem duas caminhonetes Hilux, avaliadas em R$ 85.151 e R$ 120 mil; uma área de terra nua avaliada em R$ 2 milhões; e 200 cabeças de gado, declaradas em R$ 320 mil.

O crescimento patrimonial superior a dez vezes em apenas quatro anos inevitavelmente chama atenção e levanta questionamentos. Houve valorização real dos bens? Parte do patrimônio anterior estava subdeclarada? Ou houve, de fato, um crescimento expressivo no período?

Como comunicador e colunista, considero que casos assim merecem ser observados com atenção pelos eleitores e pelos órgãos de fiscalização. Todos sabem que, muitas vezes, os bens declarados à Justiça Eleitoral não refletem o valor real de mercado.

Ao registrar imóveis, por exemplo, proprietários precisam seguir referências utilizadas por cartórios e pelo poder público para cobrança de tributos. Da mesma forma, na declaração do Imposto de Renda, há critérios específicos para informar valores de veículos, terras, rebanhos e outros bens.

Por isso, acompanhar a evolução patrimonial de políticos ao longo dos anos é uma forma legítima de fiscalização por parte da população. Transparência é um dos pilares da vida pública e precisa valer para todos.

Fica o convite para que os leitores consultem as declarações de bens disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral e comparem os dados ao longo do tempo. Afinal, quem pretende administrar dinheiro público também precisa explicar de forma clara a evolução do próprio patrimônio.

*Nésio Carvalho é radialista, ativista da regularização fundiária e colaborador deste jornal

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