Ironia usada pelo PT agora expõe fragilidade de Jorge Viana

Durante anos, o PT no Acre repetiu uma frase que virou bordão: a oposição estava “espatifada no ninho da pata”. A expressão era direta — adversários desorganizados, incapazes de se entender e sem força pra construir um projeto comum.

O problema é que o cenário virou.

Hoje, fora do governo e sem a mesma capacidade de articulação, é a própria esquerda acreana que começa a refletir esse quadro. O que antes era crítica virou espelho: disputas internas, falta de coordenação e dificuldade de alinhar interesses.

Durante cerca de 20 anos, o grupo liderado por Jorge Viana operou com controle político sólido. Havia comando, direção clara e capacidade de manter aliados na mesma linha. Esse modelo funcionava porque havia poder — e o poder, nesse caso, organizava o jogo.

Mas o mesmo modelo tinha um problema estrutural: a centralização.

A fala de Jenilson Leite escancara isso. Ao dizer que novas lideranças só tinham espaço quando subordinadas, ele aponta para um sistema que não permitia crescimento fora da tutela. Quem não se alinhava, ficava pelo caminho. O resultado aparece agora: falta renovação real e sobra dependência de figuras já desgastadas.

O episódio de 2022 deixou isso evidente. A articulação que terminou com Jorge Viana candidato ao governo, após a movimentação do PSB, não unificou o campo. Pelo contrário, expôs a desorganização. Faltou estratégia comum, sobrou ruído interno.

E o quadro se aprofunda com o distanciamento de aliados históricos. Marcus Alexandre dá sinais claros de que não pretende mais carregar o peso dessa associação. A última eleição mostrou que estar vinculado ao grupo passou a ter custo político alto. Não é ruptura ideológica — é cálculo.

Ao mesmo tempo, a insistência em manter o protagonismo concentrado nos mesmos nomes reforça o desgaste. A crítica ao ego, feita por Jenilson, aponta justamente pra dificuldade de adaptação a um cenário em que liderança já não se impõe como antes.

O resultado é um campo político fragmentado.

Sem unidade, sem coordenação e com disputas expostas, a esquerda acreana começa a viver exatamente o que dizia sobre a oposição.

O “ninho da pata” não desapareceu.

Só mudou de lado.

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