A tentativa de reaproximação sinalizada por Jorge Viana nesta quinta-feira (19) ocorre em um momento em que o ex-prefeito Marcus Alexandre dá sinais claros de distanciamento do campo petista — movimento que reflete não apenas uma ruptura pessoal, mas uma estratégia política.
Dois dias antes, Marcus afirmou publicamente que se arrepende de decisões tomadas em eleições anteriores, incluindo movimentos que afetaram sua relação com Viana. A fala foi interpretada nos bastidores como uma demarcação de território, especialmente após a derrota para Tião Bocalom ainda no primeiro turno da última eleição em Rio Branco.
A associação com o PT — historicamente liderado por Jorge Viana no Acre — passou a ser vista como um fator de desgaste eleitoral, o que ajuda a explicar o reposicionamento do ex-prefeito.
Mesmo assim, Viana adotou um tom conciliador e indicou que pretende procurar o antigo aliado.
“Tenho muito carinho por ele e pela família dele. É uma pessoa que cresceu junto com a gente, é competente e trabalhador”, declarou.
O ex-senador evitou confrontar diretamente as declarações e atribuiu o arrependimento de Marcus à decisão de deixar a prefeitura para disputar o governo em 2018.
Na prática, porém, o movimento de Marcus vai além daquela eleição. Ao reconhecer erros ligados ao próprio grupo político, ele reforça um processo de afastamento que já vinha sendo percebido desde o desgaste acumulado em disputas recentes.
Ainda assim, Viana afirmou que pretende buscar apoio do ex-prefeito dentro de uma estratégia mais ampla de reconstrução de alianças para 2026.
A sinalização, no entanto, esbarra no novo posicionamento de Marcus, que tem evitado vinculações diretas ao petismo e tenta redesenhar sua identidade política fora desse eixo.
As declarações ocorrem no mesmo dia em que Viana confirmou sua pré-candidatura ao Senado pela federação formada por PT, PCdoB e PV, em um cenário marcado pela fragmentação de alianças históricas no Acre.
Do lado de Marcus Alexandre, o discurso reforça esse distanciamento.
Em fala no Bar do Vaz, na terça-feira (17), ele afirmou que se arrepende da decisão de disputar o governo em 2018, quando deixou a prefeitura de Rio Branco.
“Veio a decisão de 2018, que é uma decisão da qual eu me arrependo. Ali eu estava exercendo a gratidão”, disse.
Ele também citou como “segunda decisão difícil” a escolha de compor como vice em um pleito posterior — movimento que, segundo ele, aprofundou o desgaste com Jorge Viana.
“Essa decisão foi tão difícil que, quando terminou a campanha, a amizade com o Jorge já não era mais a mesma. Foi uma caminhada que não foi boa para mim”, afirmou.
O conjunto das declarações indica que, enquanto Viana tenta reconstruir pontes, Marcus Alexandre caminha no sentido oposto — buscando reduzir vínculos com um grupo político que hoje representa custo eleitoral.
