A possível destinação de máquinas pesadas para o Acre entrou no centro de uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) que identificou inconsistências em uma licitação bilionária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O processo prevê a compra de cerca de 6 mil equipamentos para apoiar a produção agropecuária em todo o país.
No planejamento preliminar, o Acre aparece entre os estados que poderiam receber parte das máquinas. A estimativa inicial apontava a possibilidade de envio de cerca de 20 retroescavadeiras, mas a quantidade ainda pode ser alterada, já que o modelo permite remanejamento de equipamentos entre estados da mesma região conforme a demanda.
O certame está atualmente estimado em R$ 3,19 bilhões e prevê a aquisição de equipamentos como retroescavadeiras, motoniveladoras, pás-carregadeiras, escavadeiras hidráulicas e tratores agrícolas.
Segundo a CGU, o principal problema identificado está na justificativa da quantidade de máquinas prevista. A auditoria apontou que o processo não apresentou estudos detalhados que comprovem a real necessidade dos equipamentos por região, estado ou município, o que pode indicar superestimativa da demanda.
Em um dos cenários analisados pelos auditores, a demanda comprovada nos documentos seria de apenas 657 máquinas, número muito inferior às 6 mil previstas na licitação.
Por outro lado, há registro de 7.680 solicitações de equipamentos feitas por estados e municípios na plataforma TransfereGov. Para os auditores, a diferença entre os números reforça a necessidade de critérios mais claros para definir a distribuição.
A CGU também identificou falhas na pesquisa de preços usada inicialmente para calcular o valor da licitação. Após os questionamentos, o Ministério da Agricultura refez os cálculos e reduziu o valor estimado da contratação de R$ 4,07 bilhões para R$ 3,19 bilhões.
O órgão de controle recomendou que a distribuição das máquinas ocorra apenas após comprovação técnica da necessidade por parte dos beneficiários.
