Visita de Gerlen com Alan Rick a obra não inaugurada provoca BO e exonerações

A crise política entre o governo do Estado e o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, ganhou contornos formais e jurídicos nesta quarta-feira (11), após um episódio envolvendo uma obra estadual ainda não inaugurada. O caso deve resultar no registro de boletim de ocorrência e já provocou exonerações em cargos comissionados ligados ao grupo político do prefeito na estrutura do Executivo estadual.

O estopim da crise foi uma agenda pública realizada por Gerlen ao lado do senador Alan Rick (Republicanos), pré-candidato ao governo do Acre, e da ex-deputada federal Mara Rocha, em Sena Madureira. Durante a programação, o grupo esteve na Casa de Apoio Humberto Freire — que deverá passar a se chamar Casa do Agricultor — espaço que ainda não foi inaugurado e cuja obra está sob responsabilidade do Estado, por meio do Deracre.

De acordo com informações do governo, o prédio estava fechado por ainda se encontrar em fase de finalização. A gestão estadual afirma que houve entrada forçada no local para a realização da vistoria e gravações políticas. Antes da agenda, o prefeito teria solicitado as chaves à direção do Deracre, mas o pedido foi negado sob o argumento de que a obra não estava concluída.

Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre informou que repudia a conduta, classificando-a como desrespeitosa, e anunciou que adotará as medidas legais cabíveis. A orientação interna no governo é formalizar boletim de ocorrência para apurar eventual dano ao patrimônio público, além de encaminhar o caso à Procuradoria-Geral do Estado.

A Casa do Agricultor foi projetada para oferecer quartos para repouso, área de alimentação, climatização e estrutura adequada para acolher produtores rurais das regiões do Caeté, Iaco, Purus e demais áreas produtivas que se deslocam até a cidade para tratamento de saúde ou resolução de demandas administrativas.

Reação política imediata

A repercussão do episódio ultrapassou o campo administrativo e se transformou em confronto político aberto. Ainda na noite de quarta-feira (11), o governador Gladson Cameli exonerou, em edição extra do Diário Oficial, cargos comissionados ocupados por pessoas ligadas ao grupo político de Gerlen Diniz e do deputado estadual Gene Diniz.

Nos bastidores do Palácio Rio Branco, a medida foi interpretada como um recado direto e definitivo. A avaliação é de que o episódio da obra representou um rompimento político explícito.

O contexto amplia a tensão: Alan Rick, que participou da agenda em Sena Madureira, é pré-candidato ao governo do Estado, enquanto Gladson Cameli tem como aliada a vice-governadora Mailza Assis, apontada como provável candidata ao governo em 2026. Embora filiado ao Progressistas, partido de Gladson, Gerlen ainda não anunciou apoio ao projeto político do governador e de seu grupo.

A leitura dentro do governo é de que o uso de uma obra estadual ainda não inaugurada em agenda com um pré-candidato adversário extrapolou os limites institucionais e transformou uma divergência de bastidor em enfrentamento público.

Com a formalização de medidas jurídicas e as exonerações já publicadas, o episódio marca um novo capítulo na disputa política que se desenha para 2026 no Acre.

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