Uma investigação da PF (Polícia Federal) identificou imagens que mostram um motorista utilizando o carro do prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan (MDB), indo a agências bancárias para sacar valores em espécie. Os altos valores dos saques chamaram a atenção dos investigadores.
A apuração faz parte da investigação Paroxismo, que apura supostas fraudes na construção do Hospital Municipal de Macapá. Dr. Furlan foi alvo de busca e apreensão pela PF em 3 de setembro de 2025, assim como a secretária municipal de saúde e empresários da construção.
Na investigação da PF, obtida pela CNN, há indícios da existência de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, voltado ao direcionamento da licitação do hospital, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade.
A obra de R$ 69 milhões conta com recursos de emendas parlamentares. Segundo a Prefeitura de Macapá, as ex-deputadas Leda Sadala (PP), Aline Gurgel (Republicanos) e o senador Lucas Barreto (PSD) garantiram os recursos para a maternidade, enquanto o deputado Vinícius Gurgel (PL) destinou recursos para o hospital. No local, serão instalados 155 leitos. Os parlamentares não são investigados.
Imagens de câmeras de segurança mostram que em 23 de maio de 2025, o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da empresa Santa Rita Engenharia LTDA, investigada por indícios de direcionamento de licitação, foi flagrado entrando em um banco e retirando R$ 400 mil em espécie. Depois de 10 minutos, o empresário foi ao Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, em Macapá, que é do ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque, suplente de Lucas Barreto.
Para a PF, a parada do veículo no laboratório de propriedade do ex-senador “pode indicar a entrega de valores”.
A CNN apurou que, apesar de ter o nome nesse monitoramento, o senador Lucas Barreto não é citado na representação da PF, tampouco é investigado. Os recursos provenientes das emendas do parlamentar ainda não foram destinados às obras do hospital.
Em outra data, em 18 de junho de 2024, a PF monitorou novamente Rodrigo de Queiroz Moreira, que realizaria saque em espécie no montante de R$ 130 mil e Fabrizio de Almeida Gonçalves, também sócio da Santa Rita, o valor de R$ 260 mil. Um deles estava dirigindo um carro do prefeito Dr Furlan.
Em outra ocasião, a PF também identificou Jerqueson da Costa Rodrigues, que trabalha na casa do prefeito, realizando saques bancários.
Na conclusão, a PF aponta a atuação direta de Dr Furlan no esquema: “Ademais, é possível inferir que Jerqueson desempenha atividades cotidianas sob ordens diretas do Prefeito, inclusive ações que, à luz dos elementos apurados, podem revestir se de caráter suspeito.”
Durante a investigação, a PF chegou a pedir o afastamento do prefeito do cargo, mas a Justiça negou.
Emendas
O contrato de construção foi formalizado em maio de 2024 por R$ 69,3 milhões. A investigação aponta que apenas um dos investigados sacou R$ 9 milhões em espécie no período do inquérito. Esse montante seria proveniente do esquema.
A PF diz que o grupo utilizava mecanismos de dissimulação patrimonial, incluindo entregas físicas de numerário e movimentações bancárias para ocultar a origem ilícita dos valores.
A CNN procurou as defesas do prefeito, Dr, Furlan, da Prefeitura de Macapá, do empresário Rodrigo de Queiroz, da empresa Santa Rita, do ex-senador Paulo Albuquerque e de Jerqueson da Costa, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto e a reportagem será atualizada se houver manifestação.
