As investigações sobre o esquema de desvio de medicamentos da rede pública no Acre avançaram e passaram a apurar a possível ligação dos fármacos apreendidos com o crime organizado. A Polícia Civil trabalha agora com a hipótese de que parte do material poderia estar sendo utilizada para fins ilícitos além da venda irregular, incluindo o uso como substância entorpecente.
Segundo a Polícia Civil, os medicamentos recolhidos em operação realizada em Rio Branco incluem desde itens básicos até fármacos de uso hospitalar restrito e alto valor comercial. Todo o material está em fase de catalogação detalhada, com identificação de lotes e origem, etapa considerada fundamental para compreender a dimensão do esquema.
Após essa fase, será realizada perícia mercadológica para estimar o valor total dos medicamentos apreendidos. Paralelamente, os investigadores apuram se parte desses produtos estava sendo desviada para outras finalidades criminosas, hipótese que ampliou o foco da apuração para além do desvio da rede pública de saúde.
A Polícia Civil informou ainda que já existem investigações em andamento envolvendo o uso indevido de medicamentos controlados, o que levanta a possibilidade de que esses fármacos estivessem sendo explorados como drogas ou utilizados na adulteração de outras substâncias ilícitas, como a cocaína.
De acordo com a corporação, há registros históricos de uso irregular de medicamentos controlados e até de substâncias associadas à produção de entorpecentes sintéticos. O objetivo da investigação agora é determinar se os casos antes considerados pontuais evoluíram para um esquema estruturado, com atuação organizada e ramificações mais amplas.
Os investigadores também apuram se os medicamentos apreendidos eram destinados a farmácias clandestinas, vendidos a terceiros ou incorporados a outras práticas criminosas. As diligências seguem em andamento, e novas medidas não estão descartadas.
