A revisão do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027 do governo do Acre reforça a segurança pública como um dos eixos estratégicos do planejamento estadual até 2027. As informações constam no Diário Oficial do Estado do Acre desta terça-feira (6), que publicou a incorporação das metas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 aos anexos do plano.
O documento detalha ações voltadas à polícia, ao sistema penitenciário, à Defesa Civil e ao funcionamento do sistema de justiça. Entre os pontos que mais chamam atenção está o crescimento dos recursos previstos para o sistema prisional ao longo do ciclo do PPA, com foco declarado na modernização das unidades, ressocialização de detentos e ampliação de serviços de educação e saúde dentro dos presídios.
Esse direcionamento ocorre em um contexto de queda recente nos indicadores de violência no estado. Dados divulgados pelo próprio governo apontam redução nas mortes violentas intencionais em 2024, na comparação com o ano anterior. Ainda assim, o planejamento mantém prioridade elevada para o sistema de custódia, indicando que o Estado aposta no fortalecimento da estrutura penitenciária como estratégia para evitar novos ciclos de crise.
Na área policial, o PPA revisado reforça ações de gestão, aparelhamento e funcionamento das forças de segurança, sem indicar mudanças estruturais significativas de enfoque em relação aos anos anteriores. O planejamento permanece concentrado na capacidade operacional e na resposta ao crime, enquanto políticas preventivas de longo prazo aparecem com menor detalhamento.
Outro ponto relevante é a inclusão da Defesa Civil no eixo de segurança pública. O plano estabelece metas anuais crescentes para ações de prevenção e resposta a desastres naturais e tecnológicos, reconhecendo que eventos como cheias e deslizamentos também afetam diretamente a segurança da população.
Apesar do detalhamento das metas, o próprio documento ressalta que os valores previstos são referenciais e podem sofrer ajustes durante a execução orçamentária. Na prática, isso significa que as prioridades definidas no planejamento não garantem, por si só, a efetivação das ações.
Com isso, o PPA revisado revela uma estratégia de segurança pública centrada no fortalecimento institucional do Estado, especialmente no sistema prisional, enquanto a prevenção aparece de forma menos explícita. A efetividade dessas escolhas e seu impacto real nos indicadores de violência serão o principal ponto de cobrança ao longo de 2026.
