O cantor Lindomar Castilho, um dos nomes mais populares da música brega e bolero no Brasil, morreu aos 85 anos neste sábado (20). A morte foi confirmada por sua filha, Lili De Grammont, em publicação nas redes sociais. Artista de grande repercussão nas décadas de 1970 e 1980, Castilho construiu uma carreira marcada por sucessos, mas também por um dos crimes mais chocantes da história recente do país.
Reconhecido como “Rei do Bolero”, Lindomar alcançou enorme projeção nacional com músicas que atravessaram gerações, entre elas “Você É Doida Demais” e “Entre Tapas e Beijos”. Sua voz, estilo e presença artística o colocaram no centro da música popular brasileira da época.
Mas a trajetória artística passou a ser acompanhada pela crônica policial após o assassinato da sua ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, em 1981.
O crime que marcou o país
No dia 30 de março de 1981, Lindomar Castilho invadiu o Café Belle Époque, em São Paulo, onde Eliane se apresentava, e efetuou cinco disparos contra ela no palco. A cantora foi atingida enquanto interpretava “João e Maria”, de Chico Buarque, e morreu a caminho do hospital, aos 26 anos. O violonista Carlos Randall, primo de Lindomar, também foi baleado e sobreviveu.
Relatos do processo apontam que o crime foi motivado por ciúme e agravado pelo alcoolismo do cantor. O julgamento ocorreu em 1984 e reuniu nomes históricos do Direito brasileiro. Lindomar foi condenado por homicídio. Cumpriu regime fechado até 1986, passou ao semiaberto e deixou a prisão em 1996.
O Tribunal de Justiça de São Paulo considera o caso um marco histórico por retratar o contexto social e jurídico da época, sobretudo no debate sobre violência contra a mulher.
Dor familiar e marcas do passado
A filha do cantor, Lili De Grammont, destacou em sua publicação que a morte do pai reacende feridas profundas deixadas pelo assassinato da mãe. Ela declarou que nunca houve resposta simples sobre perdão e afirmou que o crime destruiu a família.
“O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira”, escreveu. Lili também afirmou esperar que “a masculinidade tóxica” do pai tenha sido transformada.
Carlos Randall, que levou um tiro no dia do crime, já declarou em entrevista que não conseguiu perdoar Lindomar Castilho e relatou o impacto psicológico e profissional que sofreu.
Mesmo após o cumprimento da pena, o crime marcou para sempre a imagem pública do cantor, dividindo lembranças entre a relevância musical e a violência que tirou a vida de Eliane.
Fonte: CNN Brasil
