O Superior Tribunal de Justiça retoma nesta semana a análise do processo que envolve o governador do Acre, Gladson Cameli. Após uma série de adiamentos, o caso entra novamente na pauta da Corte, com sessão prevista para ocorrer no período da tarde, em Brasília.
O julgamento havia sido inicialmente agendado para novembro, mas acabou sendo remarcado em mais de uma ocasião. Um dos adiamentos ocorreu após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que acolheu pedido da defesa para reavaliar questões relacionadas ao acesso a provas utilizadas na acusação.
Em manifestação pública, os advogados do governador sustentam que não houve irregularidades e afirmam que irão demonstrar a inocência de Cameli ao longo do julgamento. O governador, por sua vez, já declarou confiar na atuação do Judiciário, ressaltando a expectativa de que o caso seja analisado sem interferências externas de natureza política.
Mesmo com o avanço do processo, Cameli segue exercendo o cargo, embora esteja submetido a medidas cautelares impostas pela Justiça. Essas restrições foram recentemente prorrogadas por mais 180 dias, por decisão da ministra Nancy Andrighi, para evitar que perdessem validade antes da conclusão da análise do mérito. Entre as determinações estão a proibição de contato com outros investigados e testemunhas, a retenção do passaporte, a impossibilidade de deixar o país e o bloqueio de bens e valores.
A investigação teve início em 2019 e foi conduzida pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Ptolomeu. O foco da apuração está em contratos firmados entre o governo estadual e uma empresa sediada em Brasília, que teria subcontratado outra companhia no Acre, da qual participa um irmão do governador.
De acordo com a acusação, o modelo de contratação teria favorecido financeiramente os envolvidos e causado prejuízos aos cofres públicos. A defesa contesta essa versão e aponta falhas no processo investigativo, incluindo questionamentos sobre materiais apreendidos e relatórios financeiros utilizados como base para a denúncia.
Com a retomada do julgamento, a expectativa se volta agora para os desdobramentos no STJ, que decidirá sobre a continuidade do processo e os próximos passos do caso que envolve o chefe do Executivo acreano.
